Genérico
"Eu sou Eles"
Acabei de ver essa notícia no portal do MSN de notícias (que é bem deficitário em alguns pontos, diga-se de passagem, mas me garantiu boas risadas com essa matéria).
Uma norte-americana ligou pra polícia para avisar que tinha alguém alcoolizado dirigindo na estrada . E, quando o senhor policial perguntou se ela estava seguindo o perigoso suspeito, eis a surpresa... confira o diálogo entre motorista e policial:
- 911?
- Tem alguém dirigindo muito bêbado na Granton Road...
- Em que direção eles estão indo?
- Eles estão indo praaa...
- Em direção a Granton ou a Neillsville?
- Em direção a Granton.
- Ok, e você está dirigindo atrás deles ou...?
- Não, eu sou eles.
- Você é eles?
- Sim, eu sou eles.
- Ok, então você está ligando para dizer que está dirigindo bêbada?
- Sim.
- Ok, e qual é seu nome?
- Mary.
- Ok, espera um segundo, Mary, ok?
- Ok.
- Você ainda está dirigindo, agora?
- Estou.
- Você quer parar, antes de causar um acidente?
- Sim, eu vou parar.
- Ok, você quer parar agora?
- Sim, estou parando.
- Ok, continua no telefone, ok? Qual é seu último nome, Mary?
- Strey.
- Já está parada agora?
- Sim, estou.
- Que modelo de carro você tem, Mary?
- Eu tenho um Saturn. Posso tirar o cinto?
- Se você estiver parada...
- Sim, estou parada.
- Se você está parada, tudo bem, sim.
- Estou parada.
- Ok.
- Posso tirar o cinto?
- Sim, desde que você não esteja dirigindo, desde que não esteja se movendo.
- Posso desligar meu carro e ligar o pisca-alerta?
- Sim, tudo bem se você desligá-lo e ligar o pisca-alerta, assim podemos te achar. Ok, espera um segundo de novo, Mary.
Louvável a atitude da dona Mary, but... vamos combinar uma coisa (uma não, algumas)
1) Se você está no pico da manguaça, dirigindo numa estrada, depois de uma festa, só tem dois lugares prováveis pra você ligar. A) alguma alma perdida que ainda queira continuar enchendo o carão ou B) o disk cerveja, pra entregar mais umas latinhas na tua casa.
2) Quem está muito bêbado nunca vai ligar pra alguém e admitir que está muito bêbado
3) A dona Mary é bem da espertona: como ela ligou e falou a verdade, poderia ter um atenuante no caso de um acidente mais grave
4) "Eu sou eles" é tão genial quanto "A verdade está lá fora". Manda a dona Mary pro X-Archives djá!
5) Na matéria, diz que ela estava saindo de uma festa de Halloween. Achava que as festas de Halloween eram coisas pra crianças pedirem gostosuras ou travessuras. E não pra uma marmanja encher o carão e sair dirigindo locona por aí
6) Ela falou que tomou Coca-cola também. E, pra mim, aí está a chave de todo o problema: a dona Mary se entupiu de refri, teve uma overdose alucinativa e partiu para a estrada no melhor estilo born to be wild... não?
Bom, aqui vai o link, pra quem quiser conferir a matéria: http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/MSNNoticia_conteudo.vxlpub?hnid=43321
Magic World
Tá com fome?
Pois, vai continuar... pelo menos no que depender dessas nada apetitosas capas de revistas de receitas (pasmem, é esse o tema mesmo!) da Case Editorial. A primeira foi lançada semana passada e a segunda chegou hoje às bancas.
Na revista de Culinária Básica -- que, acredito, teria o mesmo princípio editorial da Culinária para Iniciantes, mas que é da série Cozinha sem Segredos -- você vai aprender a fazer essa deliciosa.... essa deliciosa... Guizada de Larvas Albinas da Indonésia! Ou alguém aí acredita mesmo que isso na capa é um feijão, simples e indefeso, daqueles que a gente coloca junto com o arroz no santo prato de cada dia? Se minha querida mãezinha, que deos a tenha, visse uma coisa dessa sendo chamada de feijão, soltaria o seu clássico diante de situações inusitadas: "É, nada mais me espanta nessa vida". Ô mãe, tenho que dizer, esse me assustou...
Geração Google
Bárbara é louca por internet e possui uma habilidade motora para joguinhos que eu nunca tive (e acho que nunca vou ter, nem se nascer mais duas vezes). E num dos sites que ela é cadastrada e que gosta de brincar, tem uma "ala" só de missões, para as crianças resolverem. Uma coisa bem detetive. E não é tão fácil, porque eu já tentei e perdi logo a paciência -- tá, não sou parâmetro.
O fato é que ela ficou numa dessas missões um tempão e estava difícil de resolver. Na hora em que fui resgatá-la do mundo dos bits para levá-la ao mundo do banho, perguntei como estava a tal missão. E eis que segue a prova de que essa geração, realmente, já está completamente dominada pelo ser superior chamado Google:
- Ah, mãe... eu fui procurar no Google essa missão. Daí, achei o vídeo do Youtube e entrei pra ver. Ele explicava como eu saía daquela etapa pra continuar a missão. Daí, terminei!
* pra quem não sabe: Bárbara tem 7 anos.
Castrados
Há alguns dias, meus gatos resolveram se amar. E isso significou, para mim, não dormir direito, não comer direito, não ver tv direito... passei cerca de 48 horas tentando separar o que a natureza queria de qualquer jeito unir. Levei-os ontem para serem castrados. No fim dia, fui buscar o casal empolgadinho. E estou me sentindo horrível, porque agora eles nem se olham direito, aliás, mal conseguem parar de pé, ainda sob um pouco de efeito da anestesia.
Os gemidos de provocação e prazer dela se transformaram numa tentativa angustiada de expressar alguma dor.
Os olhos desejosos de pupilas dilatadas com que ele a olhava nem sequer possuem força para se abrir.
O ímpeto de rolarem pelo chão, na cozinha, no banheiro, embaixo da cama, atrás da porta se evaporou e virou uma nuvem densa de preguiça e malemolência que talvez nunca tenha fim.
E talvez não consiga dormir direito, comer direito ou ver tv direito, pensando numa paixão interrompida, no desejo reprimido, na explosão pura da vida que valeu exatos R$120 para ser anulada.
Sobre a frustração
Tinha outros dois assuntos em mente para voltar a escrever (é, faz um bom tempo que não posto nada), mas me peguei pensando ontem no banho sobre a frustração e como, para mim, ela pode ser um sentimento pior até do que a tristeza. E isso desde criança.
No meio das tantas andanças e mudanças da minha família durante a minha infância, teve uma época que morei em Dois Córregos. E por esse tempo também a minha mãe biológica começou a se aproximar, movida por remorso ou curiosidade, mas isso não vem ao caso. O fato é que como ela morava em São Paulo e só poderia ir nos visitar aos finais de semana. Não a amava, não a admirava, não sentia nada por ela, mas, a esperava. E quantas vezes não descia até a rodoviária e ficava sentada na cadeira de plástico com encosto torto, tentando adivinhar em quantos minutos o ônibus estaria atrasado, para vê-lo chegar de repente e pular como um esquilo eufórico na direção da porta e deixar o coração bater mais forte a cada passageiro que descia. E quantas vezes o ônibus não fechava a porta sem que o motivo da minha espera tivesse descido dali. Me restava desfazer a pose de esquilo eufórico, enfiar o rabo felpudo no meio das patas e voltar pra casa, remoendo a frustração de mais uma vez ver uma promessa descumprida.
A conclusão a que chego hoje é que essa história de que o tempo nos faz melhores, principalmente para lidar com esses sentimentos, é uma absoluta lorota. As frustrações continuam acontecendo, só que de maneiras diferentes, com outros personagens, com outras histórias, com outras mechas de esperanças abruptamente cortadas. E continuo sentido com a mesma força e intensidade a dor que ela causa. A única e real diferença é que agora é possível distingui-la da raiva ou da tristeza ou do ódio.
Enquanto a água quente do chuveiro cozia meus miolos já quase moles, acabei me sentindo de novo a menina de 9 anos sentada no banco frio e torto, mas já sem a euforia de esquilo e com o peito transbordado de uma frustração que poderia alagar a cidade, o país e o mundo. Mas, que naquela hora, só escorria pelo ralo.
Unbelievable
* essa é a edição dessa semana, que está numa banca pertinho de você, neste momento... minha dica: fuja dela!
E por falar em receita...
Trabalho com revistas e sei que, de tempos em tempos, os temas se repetem. Muda uma palavra, dá "carinha" nova, passa um blush pra disfarçar uma imperfeição, reforça no corretivo pra tirar olheira... mas é a mesma coisa, basicamente.
Quer ver um exemplo bem recente? Pois veja a capa da Nova de junho de 2009, que é essa aqui:

Agora, quer saber onde entra a "receita" ali do título? É só dar uma olhada na edição de junho de 2008. Você está lendo praticamente a mesma revista. Algumas trocas de palavras e... voilá:

Daí vem o senhor digníssimo ministro e compara jornalista com cozinheiro... nesse caso, não dá pra dizer que a receita não foi seguida à risca!
* e antes que a associação nacional dos cozinheiros ache que estou sendo preconceituosa, não estou. Nada contra os cozinheiros. E sim contra os ministros.






